quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bendita Cruz Infame

Há algum tempo eu tive o privilégio de ministrar na BD sobre a Cruz de Cristo e enquanto para alguns a cruz de Cristo é IGNOMÍNIA, OU SEJA... VERGONHA, para mim é o poder de Deus. É pensando assim que posto aqui, mais um texto sobre a Cruz de Cristo, dessa vez de autoria de Rubem Amorese, que assim como eu ama a mensagem da cruz e até morrer a vai proclamar. O texto que tem como título 'Bendita Cruz Infame, está na sua íntegra como a seguir:

Meu pai estava ouvindo nossos hinos da IPP e parou nos dois que falam da cruz de Cristo. Parou, pensou, escolheu as palavras e disse:

— Você precisa se decidir sobre o que sente a respeito da cruz. Olhe essas duas letras: "Cruz Infame" e "Cruz Bendita". Afinal, é infame ou bendita? As duas coisas ela não pode ser.

Essa abordagem do tema me pareceu interessante, e ensejou uma boa conversa sobre semântica (o estudo dos significados) e, em decorrência, sobre as diversas aproximações possíveis da cruz.

Costuma-se fugir de um grande problema "como o diabo foge da cruz". De fato, em que pese o folclore, a cruz, para o diabo, é sinônimo de derrota. Nela ele foi cabalmente vencido e exposto ao desprezo (Col 2:15).

Há quem a menospreze, por não sentir necessidade de salvação. A redenção que ela traz (a palavra usada por Paulo é "propiciação", um sacrifício substitutivo) não é validada no coração, por meio da fé, tornando-a ineficaz para sua salvação. É vista por esses apenas como um fato histórico; longínquo e deprimente. Cena desagradável, por sinal.

Não me parece estranho, portanto, ocorrerem sentimentos contraditórios em um mesmo coração, dependendo da circunstância e da forma como ele se coloque diante dela.

Começo o hino "Cruz Infame" dizendo que ela "entre terra e céu o meu Senhor ergueu" e o submeteu a vergonha, dor e vexame. Sob esse aspecto é cruz infame! Mas o verso se completa: "por este triste réu". O que pensar, agora? "Aquela cruz maldita", enquanto humilhava meu Senhor, "terra e céu ligou", como uma imensa escada, e "a dívida da escrita por todos resgatou".

Bem, nesse sentido eu olho para ela como "cruz bendita", sem dúvida. E considero "bendito o dia em que encontrei a cruz de Cristo e seu perdão". E será para sempre "bendita a paz que ele comprou e a vida eterna que nos deu".

Naquela cruz estava o meu perdão. Naquela cruz está a minha paz. Ao olhar para o meu Senhor nela pendurado, como alguém que nem Deus nem os homens desejavam (esse é um dos significados do "ser levantado" entre a terra e o céu), encontro ali perdão para mim. "Cumpriu-se a lei-ditame, provou-se o seu amor; salvou-se um pecador". Sim, este pecador.

Diante dessa compreensão, sou compelido a cantar que "amo a mensagem da cruz". Mesmo que seja uma cruz tão rude, tão infame que dela o dia tenha fugido, pois era "emblema de vergonha e dor".

Se chego a chorar diante da humilhação do meu Senhor, diante de "tanta execração", quero ao mesmo tempo bendizer "a paz que ele me comprou".

Parecem sentimentos contraditórios, como sugere meu pai? Ok, pode ser. Mas "eu amo a mensagem da cruz e até morrer eu a vou proclamar". Mais que isso: "levarei eu também minha cruz/'té por uma coroa trocar".

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SOBRE O(A) AUTOR(A)

Rubem Amorese

sábado, 30 de outubro de 2010

DOR REPETIDA

Num espaço de trinta dias... Perdi minha mãe e minha sogra. Totalmente sem inspiração e sem palavras, peço licença a autora das palavras abaixo para postá-las neste cantinho.

O texto que tem como título, Ninguém tem nada com isso, diz o seguinte:

Já disse Quintana: O pior dos nossos problemas é que ninguém tem nada com isso. Eu sempre enxerguei inúmeros significados para essa frase. Implícitos. Ela abrange muita coisa. Inclusive aborda os "limites" da solidariedade humana. Sim, ela existe. E eu a conheço bem de perto. Vejo muita gente solidária, que tem empatia pelo outro, pela dor alheia. Enfim, gente boa. Gente que se importa com os outros.
Mas ninguém vive a dor no lugar do outro. Ninguém. Cada dor é única, assim como as nossas digitais. Ninguém sente igual, sangra igual. Cada um tem sua intensidade e expressão próprias. É a identidade pessoal do sofrimento. E a isso não cabem julgamentos. Aliás, odeio os julgamentos, principalmente aqueles que são pré-formulados, com base em ambiguidades. Como o luto.
O luto é inexplicável para mim. O Aurélio diz tão pouco. Entre seus dizeres, havia "consternação". Não, não. É algo muito mais abrangente do que apenas a dor pela perda. Recruta consigo muitas outras coisas. Grandes, pequenas, imensuráveis. Coisas que se unem, que se separam. Coisas que dependem umas das outras, interligadas. Uma verdadeira rede.
E é tempo de luto pra mim. E luto sempre traz muitas lembranças, muitas coisas vêm à tona. Coisas esquecidas, coisas antigas. Aquelas bem do fundo do baú da alma. E junto com a usual tristeza, traz arrependimento para alguns, amarguras, abre feridas adormecidas. E de nada adianta. Não adianta remoer, especular, se debulhar em lágrimas ou até mesmo querer deixar de viver. Não traz de volta quem se foi. Apenas pode trazer um pouco de alívio à dor, mas sequer a extingue. Serve somente para atenuar o coração que chora (às vezes)...
Em mim, o luto tem um efeito de reclusão junto aos meus pensamentos. E eles divagam muito, mas sempre me pergunto sobre as verdadeiras razões da existência. É inevitável.
A única certeza é a morte. Mas ninguém compreende e nem aceita. Ninguém fica esperando alegremente. Ela é completamente "desacreditada". Ninguém quer vê-la. E na verdade, é sempre uma surpresa. Sempre. Ainda mais quando ela se repete em tão pouco tempo. Uma pena.
"E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." *Eclesiastes 12:7*

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Extraído do Blog http://roubando-palavras.blogspot.com/